Não vem nos livros

Bárbara Matias

Flickr - Bob AuBuchon http://eurone.ws/1hbHT0P

Flickr – Bob AuBuchon
http://eurone.ws/1hbHT0P

Qualquer estudante universitário tem noção de que há duas realidades que se aproximam no tempo, mas se afastam logo de seguida.

A passagem pela universidade (ainda) não nos prepara para a paragem que vem imediatamente depois dela.

Condição que nos pode dar um par de asas ou um abismo. Sim, há os que lidam bem com o desconhecido, que galgam os obstáculos e pulam de alegria com as situações inesperadas.

Acredito, porém, que a grande maioria dos estudantes não lida na perfeição com o primeiro impacto, com os primeiros passos nessa terra por descobrir do mercado de trabalho.

“Eu não aprendi a fazer isto!”; “O que é que este autor dizia sobre isto?”; “Em que livro estava?”; “O professor falou nisto?”

Uma bateria de perguntas para as quais não se encontram respostas imediatas, num tempo cada vez mais acelerado que não permite a questão essencial: “Pode explicar-me?”.

Uns dias volvidos e se assim nos permitirem, a frescura dos vintes acaba por dar conta do recado. Adaptamo-nos ao novo ambiente, entranhamos o novo cenário de atuação.

A realidade é que (ainda) poucos saem da universidade com a sensação de que sabem aplicar o que passaram três e cinco anos a aprender. Saíram com um canudo. Ele dá-lhes, sobretudo, uma cabeça, mas não dá pernas nem braços.

Porque essas partes não estão nos livros científicos, como não está neles a vida.

Muitos cursos oferecem já um estágio curricular, que de certa forma funciona como um paraquedas, para não batermos com os ossos no chão quando começamos a trabalhar.

Mas (e aqui falo da minha realidade) esses estágios (de 180 horas) não são suficientes se não houver uma articulação continuada entre teoria e prática durante os anos de formação.

Assim, sempre que o aluno se aperceber da falha e da fenda entre essas duas realidades, ele deve fazer a ponte. Deitar mãos à obra. Por si, proactivo.

Procurar estágios, mostrar interesse em aprender a fazer. Trocar conhecimentos por experiências. Isso vai facilitar as coisas na hora de pisar a selva do mercado de trabalho. Vai ajudar a não ser presa fácil.

Esse saber-fazer vai também dissipar muitas das questões e evitar outras tantas. Sobretudo, vai ser uma rede para amparar as quedas iniciais.

Os conhecimentos são ferramentas que podem fazer andar a máquina, mas nós temos de saber trabalhar com elas . Os empregadores, no estado atual de crise económica generalizada, precisam de respostas, não perguntas.

Ah, e o tempo demora demasiado a responder.

Advertisements

One thought on “Não vem nos livros

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s