Desconexão

Bárbara Matias: 

This is the latest blog post from Bárbara Matias, an aspiring journalist and MA student in Communication Sciences in UTAD, Portugal. Read the original version in Portuguese or the English translation underneath.

Este é o mais recente texto de Bárbara Matias, aspirante a jornalista e aluna do Mestrado em Ciências da Comunicação na UTAD, Portugal. Leia a versão original em português ou, se preferir, a versão em inglês.

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Flickr: Keith Hall

Com tanta conexão, nunca estivemos tão desconectados.

Vivemos atualmente no reinado da tecnologia e, aqui, o homem é um mero plebeu.

Deixámo-nos fazer reféns numa emboscada de máquinas e, ao que parece, deu-se a Síndrome de Estocolmo.

Acreditamos que somos amados com uma publicação no Facebook. Que somos felizes com um Vine no Youtube. Ficamos com apetite com uma fotografia no Instagram. Estamos informados com três Tweets.

A vida anda lá fora, mas corre dentro de caixas mágicas, cada vez mais pequenas, que quase se encaixam em nós.

A verdade é que nunca fomos tão sós como hoje. Procuramos companhia nas novas tecnologias e, por lá, só encontramos distração.

O tempo urge, a solidão surge. Cresce e não cessa. Os jovens alheiam-se da realidade. Os pais perdem a atenção dos filhos para o iPad. Os mais velhos ficam para trás e longe dessas duas gerações.

Horas livres e, sempre que se pode, horas ocupadas, são passadas a olhar para baixo, para ecrãs. Deixamos, assim, de olhar para os lados, para pessoas.

Procuramos o que não encontramos, e também o que perdemos, ‘online’. Quando se deixa o contacto com a rede, ficamos sem rede, caímos no chão.

Pensamos que isto é real como a chuva que cai lá fora e esquecemo-nos de que há por aí pares de braços interessados em nos amparar as quedas.

Quanto mais longe vamos nas hiperligações, mais de nós e dos outros nos desligamos.

Sim, há quem precise das máquinas para que lhe sirvam de estrada para alcançar os que ama, mas esses já desbravaram antes o caminho de amar alguém.

Agora, apaixonamo-nos por alguém que não existe. Alguém que cria uma vida para nos dar ‘online’, mas que não a pode proporcionar ‘offline’.

Agora, queremos ser alguém que não somos. Fazemo-nos outros para uma vida que não é a nossa, mas que queremos a todo o custo viver.

Esta desconexão é de hoje, mas partiu de uma vontade imensa de querermos viver o amanhã.

Porque amanhã saberemos mais, haverá mais informação. Amanhã seremos melhores, mais experientes. Porque amanhã o mundo será melhor, com esses novos habitantes.

Sem pressas, o amanhã ergue-se com o cair do hoje. E, sobretudo, com o acumular de muitos hojes, vamos desejar que um terceiro personagem entre no livro da vida: o ontem.

Pausem os cliques. Ouçam o bater do coração.

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Disconnection (English)

Despite all these connections, we have never been so disconnected.

We live in the reign of technology, where man is a mere commoner. We’re hostages, ambushed by machines and, apparently, we end up developing Stockholm Syndrome.

We believe that we are loved with a publication on Facebook. We believe that we are happy with a Vine on YouTube. We have an appetite for photographs on Instagram. We consider ourselves informed by a few Tweets.

Life goes on out there. Getting faster on increasingly small, almost magical, boxes.

The truth is that we have never been as alone as we are today. We seek company in new technologies but there we only find distraction.

Time is short, loneliness grows and never stops. Young people are alienated from reality. Parents lose their children to the IPad. Older people get lost from the other generations.

Free time, busy times, all our time is spent looking down at screens instead of looking around for people.

We seek what we can´t find, and also what we have lost, online. When we lose contact with the network, we feel insecure and fall to the ground.

We think this is as real as the rain falling outside and we forget that there are real arms out there ready to catch us when we fall

The more links we click, the further we move away from ourselves and from others.

Yes, there are those who need the machines to find the ones they love but these people have chosen the route of loving from afar.

Now we fall in love with someone who does not exist. Someone who creates a life online to offer us, but cannot provide it offline.

Now we want to be someone we are not. To make ourselves into a different person.

We want to live a life that is not ours, one that we want to live at all costs.

This disconnection is what we live today, but it started with the profound will of wanting to live in the tomorrow. Because tomorrow we always know more, there is more information. Because tomorrow we would be better, more experienced. Because tomorrow the world would be better with those new people.

No rush, tomorrow rises with the fall of today. And when we have experienced many todays, we will desire a third character in the book of life: yesterday.

Stop the clicks. Listen to the heartbeat.

 

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